Nota lançada em 15 de agosto de 2013

Nota de repúdio à criminalização dos movimentos sociais e à posição do PSTU
A Frente Independente Popular vem, por meio desta nota, repudiar o lamentável artigo publicado no site do PSTU intitulado “Uma polêmica com os ‘Black Blocs’” e o texto em seu boletim com o título “Nossas profundas diferenças com os ‘Black Blocs’”.
Antes de falarmos dos textos acima citados, devemos ressaltar que as ações diretas começaram a ocorrer a partir do segundo ato, no dia 06 de junho de 2013, quando manifestantes sentados na Presidente Vargas, em frente a Central, que cantavam gritos de ordem, foram atacados covardemente pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar com bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha.
Outro detalhe importante: o enfrentamento com a polícia sempre foi uma resposta dos manifestantes às agressões covardes provocadas pelos próprios policiais militares. Nunca fora o objetivo final dos manifestantes o confronto. A notória repressão do braço armado do Estado é o estopim para que os confrontos aconteçam, e não o contrário.
Afirmamos que os textos do PSTU são, em primeira análise, mentirosos. A linha crítica que o texto segue nada mais é que a criminalização do “grupo” e/ou ideia Black Bloc – que no fundo é uma estratégia de manifestação, utilizando a propaganda pela ação, tendo por objetivo o anticapitalismo e a destruição de ícones do capitalismo, como por exemplo, fachadas de bancos.
Um dos textos ainda cita os homens e mulheres, os meninos e meninas vestidos de preto, como uma “ação de grupos conspiradores”. Essa insana personificação só alimenta o monopólio da imprensa e a polícia, que precisam de uma identificação do que perseguir. Essa criminalização sustenta a infeliz dicotomia do “manifestante pacífico” e o “vândalo”.
Os textos expõem também uma pesada crítica à “depredação”, por exemplo, de agências bancárias. Essa crítica, que simplesmente quase representa uma defesa ao setor bancário/privado, demonstra-nos o quão perdido está o PSTU em suas posições. O setor bancário é para a sociedade o que o câncer é para a humanidade.
A FIP entende que qualquer demonstração crítica ao sistema bancário, ainda que simbólico do ponto de vista estrutural do sistema capitalista representa a insatisfação de uma população cansada de injustiças sociais. Naturalmente, não é à toa que os bancos são alvos constantes.
O PSTU também afirma que os Black Blocs costumam agir conforme o seu desejo não deliberando as ações diretas e, assim, provoca a repressão policial. Em primeiro lugar: nada justifica a repressão policial que sofremos. Essa legitimidade que o PSTU dá aos policiais é inquisidora – e deveras preocupante. Entretanto, podemos levantar um ponto: quando o PSTU retirou-se de atos evitando claramente o confronto com a polícia, nada foi deliberado anteriormente. Apenas saíram. O que pode ser encarado como violência. Não?
As tais “ações isoladas” citadas são, na verdade, autodefesa contra a ação repressiva da polícia militar e civil – que normalmente se encontra infiltrada nos atos, o famoso P2. O surgimento dos Black Blocs não determinou o aparecimento dos policiais infiltrados. Esses policiais infiltrados sempre existiram, e estiveram em todos os atos – de camisa no rosto ou não, de máscara ou não. Estiveram presentes inúmeras vezes em plenárias, por exemplo.
O questionamento levantado num dos textos é: qual é o programa revolucionário do Black Bloc? Este tal questionamento pode e deve ser levantado para toda a esquerda. O que percebemos na esquerda organizada é que ela, infelizmente, se reduz em lutas dentro dos espaços institucionais legitimando-os num processo de burocratismo e reformismo, que se descola completamente da classe trabalhadora tornando-se um claro equívoco pra si, e que não visa uma luta direta contra o capital.
Nós, da Frente Independente Popular, queremos ressaltar que os antagonismos políticos das partes que compõem o movimento, ao invés de superar diferenças políticas e de métodos, com o objetivo de uma construção e uma unidade coesa, se fecham em seus ideais de “certo” e “errado”. O movimento como um todo necessita de diálogo com a classe operária, com o povo, e é isso que buscamos. Repudiamos a criminalização dos movimentos sociais. O povo deve ter livre acesso e direito de se manifestar. Para nós da FIP, vandalismo é o que o Estado faz com o povo!
Você acha um absurdo a situação dos Transportes Públicos, Saúde e Educação? Acha que os governantes se aproveitam do povo? Seu Patrão te explora e seu salário é ruim? Então venha lutar com a gente!
Rio de Janeiro, 15.08.2013
Frente Independente Popular

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