Sobre a Luta Combativa

Desde as jornadas de Junho e Julho o protesto popular respira novos ares. O povo saiu às ruas em defesa de seus direitos e, como era de se esperar, mais uma vez a falsa máscara de democracia do governo caiu. Manifestantes, jornalistas e trabalhadores foram arbitrariamente presos, agredidos e atacados pela polícia genocida de Cabral, Paes e Dilma. Diante desses covardes ataques, as manifestações avançaram em resistência, organização e combatividade. Os velhos protestos pacifistas orquestrados pelos partidos eleitorais deram lugar à revolta popular nas ruas. Os trabalhadores e a juventude combativa defendem-se com paus e pedras. E atacam os símbolos da opressão por todo país. Esses ataques direcionados aos órgãos Opressores do povo podem ser pontuados em alguns eixos principais:
– Os governos, que são verdadeiros balcões de negociação contra os direitos do povo, representados por suas câmaras municipais, prefeituras, assembléias legislativas e palácios;
– A polícia covarde, um braço armado do estado a serviço das grandes elites que só serve para calar o povo e manter a “ordem” à custa da repressão e chacina da grande maioria dos brasileiros;
– Os bancos e grandes empresas multinacionais, símbolos do grande capital, que lucram bilhões todos os anos à custa da miséria do povo brasileiro, cobrando altas taxas da população, pagando mal seus funcionários e oferecendo serviços de baixa qualidade (filas intermináveis, poucos atendentes etc.);
– Os ônibus e trens, que ao invés de servirem ao povo estão cada dia mais sucateados, gerando lucros milionários para as máfias dos transportes à custa do sofrimento diário de milhões de trabalhadores;

Enquanto a grande mídia (rede globo e Cia) e os oportunistas taxam as manifestações combativas de “desorganizadas”, “minoritárias”, “vanguardistas” e “pouco eficazes”, a luta popular caminha a passos largos mostrando exatamente o contrário do que estes afirmam. Cada dia a organização do povo nas ruas evolui, assim, quanto mais contundente é o enfrentamento, mais organizado o movimento se mostra. E exemplos dessa organização não faltam: são os cordões de isolamento para impedir a circulação de policiais no meio das passeatas; a resistência e o impedimento da revista dos policiais que só querem incriminar os manifestantes e atrapalhar os protestos; além dos ataques aos símbolos da opressão, que ficam, a cada dia, mais bem demarcados. Durante todas essas manifestações, ao contrário de “minorias”, o que vemos é muita solidariedade e participação da população trabalhadora que sofre diariamente com a violência policial e com as péssimas condições de vida impostas por esse Estado que só serve aos interesses dos ricos. Quanto à questão da eficácia, é importante ressaltar que foi depois do enfrentamento direto às forças opressoras e ocupação da ALERJ que obtivemos a redução do preço das passagens em vários estados brasileiros. Nenhuma redução foi concedida ao povo sem mobilização e combatividade. E para além dessa recente redução da passagem, historicamente, foi com lutas combativas e organizadas que o povo conquistou verdadeiramente seus direitos.
E ainda vale lembrar que a luta combativa ou ação direta não é uma novidade criada por um “grupo de radicais baderneiros”, como dizem a grande mídia e alguns oportunistas. Essas ações combativas são frequentes e acompanham as revoltas do povo desde longas datas no Rio de Janeiro. Não podemos nos esquecer em 2012 quando a população destruiu os trens da Supervia, e agora novamente em Agosto de 2013 quando os vidros dos trens foram destruídos depois de mais uma falha dentre as tantas. Não podemos nos esquecer do enfrentamento diário do povo nas favelas contra essa polícia genocida que mata milhares de inocentes todos os anos, e ainda em agosto de 2013 a comunidade Vila Cruzeiro incendiou mais três ônibus em protesto à morte de um jovem de 17 anos.
O que tem acontecido nos últimos protestos desde Junho é que a coragem mostrada pelo povo em algumas regiões do Rio e tantos outros estados se estendeu para as principais ruas das grandes cidades. E a cada dia a luta toma formas mais consequentes, cada enfrentamento em protesto é uma lição para o dia seguinte. Assim, a combatividade, além de ser um método eficaz de luta pelos direitos do povo, também tem a função pedagógica da conscientização do povo a partir da prática concreta.
Nós da Frente Independente Popular entendemos a combatividade mostrada nas manifestações pelo Brasil afora é um método do povo que ascende a moral revolucionária e sua perspectiva prática. Exatamente por essa razão esse povo está com os grupos combativos e que encaram a ação direta como uma etapa da rebelião popular que abra caminho para construção do poder popular.
É importante dizer também que em todas as rebeliões populares os trabalhadores não tiveram prejuízo algum, apenas os grandes empresários e o próprio governo foram atingidos! Porque os únicos que tem motivos para temer as revoltas das ruas são os governos vendidos, os grandes empresários e os oportunistas que querem montar palanques para suas próximas eleições! Esses sim devem tremer diante da rebelião popular!

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