Nota do Movimento Classista dos Trabalhadores da Educação (MOCLATE) em apoio à greve dos professores do Estado do Rio de Janeiro

Todo apoio à justa greve dos trabalhadores em educação do Rio!

Condenamos veementemente a ação truculenta e covarde da polícia fascista das gerências Paes/Cabral/Dilma, que na noite do dia 28/09 retirou à força os professores que ocupavam o plenário da Câmara Municipal do Rio. Essa foi uma das mais covardes ações da polícia desde as manifestações de junho.
Os profissionais da educação da rede estadual e municipal do Rio estão em greve unificada desde o dia 08 de agosto, em um dos movimentos mais massivos e combativos da educação dos últimos anos. Foram assembleias massivas, manifestações com 20 mil pessoas que paralisaram a cidade diversas vezes. Os profissionais do município chegaram a sair da greve no dia 11/09 depois de uma negociação, mas diante da imposição pelo governo do famigerado Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração, retomaram a greve no dia 23/09. São mais de 50 dias de greve!
O prefeito Eduardo Paes apresentou à Câmara um Plano de Carreira que não atende nenhuma das exigências da categoria, além de retirar direitos já conquistados e este foi levado à votação no dia 26/09. Centenas de trabalhadores da educação realizaram uma grande manifestação e ocuparam o plenário da Câmara, impedindo a votação.
A ocupação da Câmara durou três dias e o governo manteve a atitude autoritária e antidemocrática de não realizar conversação com o movimento. Como tem se confirmado inúmeras vezes nos últimos meses, os governos tratam o movimento popular como caso de polícia. Na noite de domingo (28/09) centenas de policiais cercaram o prédio da Câmara, impondo um clima de terror, na tentativa que os educadores saíssem do prédio. Em vão! Mesmo diante da ameaça de um despejo forçado, os trabalhadores em educação mantiveram uma postura altiva e firme, não arredando o pé até o último momento. Só saíram carregados lá de dentro! Do lado de fora foi formado um cordão humano e, mesmo sob o ataque de bombas de gás e bala de borracha, os manifestantes resistiram defendendo seus companheiros do lado de dentro.
A ação da polícia foi, como sempre, truculenta e covarde! Contra professores que não estavam mascarados, como eles acusam (afirmamos que é legítimo usar máscara para se defender), ou realizando qualquer ato de “vandalismo” como eles caracterizam as manifestações mais combativas. Do lado de dentro tiraram os professores arrastados, usaram arma de choque, um professor com problemas cardíacos levou um choque e passou mal. Professores ficaram com escoriações por todo o corpo. Do lado de fora os profissionais foram agredidos pelo Batalhão de Choque com balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás.
Toda essa ação foi feita sem uma liminar judicial de reintegração, ou seja, de forma ilegal. A escalada do fascismo em nosso país desnuda o verdadeiro caráter do Estado brasileiro, as classes dominantes rasgam suas próprias leis criadas pelo que chamam de Estado Democrático de Direito. O comandante da PM foi claro: foi ordem do governador. Além disso, o sindicato da categoria foi multado em 300 mil reais por dia e foi decretado o corte de ponto dos grevistas. Ilegal é o Estado! Greve é um direito do trabalhador, conquistado com muita luta.
Na desocupação da Câmara, que de casa do povo não tem nada, foram mais de 20 feridos, 9 deles hospitalizados. Quatro companheiros foram presos e deverão responder processos. Cenas só vistas no período horrendo do regime militar (1964-1985) em nosso país. Tudo filmado e divulgado ao vivo pela internet.
Cabe ressaltar o papel vergonhoso dos vendidos e reacionários monopólios da comunicação. A Rede Globo veiculou que a invasão da PM se deu depois que um coquetel molotov foi arremessado de dentro da Câmara. Mentira deslavada! As mais de 7 mil pessoas que assistiam ao vivo a transmissão pela mídia independente sabem qual é a verdade dos fatos. A polícia agiu de forma truculenta e covarde contra manifestantes pacíficos. Cai por terra mais uma vez o discurso de que a PM reprime de forma violenta porque os manifestantes são violentos!
A criminalização dos movimentos populares e das lutas da classe operária, dos professores, dos camponeses pobres e de todo o povo é a marca dessa falsa democracia no Brasil, democracia pros grandes burgueses e latifundiários a serviço do imperialismo e ditadura sobre a imensa maioria, que é o povo pobre e trabalhador.
A única maneira de reverter esta escalada da repressão é a radicalização da luta popular. Temos que entender que a PM e todo o aparato repressivo, aparato esse que é a medula de sustentação do Estado reacionário, são para manter a exploração e a opressão sobre nosso povo. Trata-se de luta política, que deve ser travada nas ruas. O Estado brasileiro, seu aparato repressivo e seus governos são inimigos da classe trabalhadora e do movimento popular e, como tal, devem ser combatidos e destruídos. Precisamos de uma nova e verdadeira democracia!

Exigimos também a libertação imediata de todos os presos políticos durante as manifestações de junho/julho e no último dia 7 de setembro em todo o Brasil!

O povo quer educação e não repressão!
Abaixo a criminalização dos movimentos populares!
Unir professores, funcionários, alunos e pais em defesa da educação pública, gratuita e que sirva ao povo!
Todo apoio à justa greve dos profissionais da educação do Rio!

Moclate – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação
Moclate de Belo Horizonte – MG e Moclate de Foz do Iguaçu – PR
30 de setembro de 2013

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