A prática poética

Compartilhamos poema de colaborador em homenagem à luta popular e à luta da FIP, que não se deixa intimidar pelo terrorismo do Estado e sua polícia violenta que mata milhares de pessoas todos os anos, que não recua com a perseguição política, cuja farsa é encenada pelo Judiciário, que tenta se legitimar sob o manto de justiça, quando na verdade só se preocupa com as leis, que são feitas pelo legislativo em defesa dos empresários e contra o povo. É uma homenagem a todo aquele que não deixa as ruas mesmo com a manipulação da mídia sedenta do sangue daquele que se liberta, e que transforma a notícia num espetáculo punitivista para amedrontar e dissuadir a população de lutar para governar diretamente por si. É uma homenagem à poética pratica do povo a caminho da liberdade. Viva a luta popular!

Aproveitamos para lembrar do ato nacional: lutar não é crime. No Rio, amanhã, 30 de julho, na Candelária, às 17h. Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/438381769636019/

A prática poética

Sim, vocês têm me provocado, meus amigos,
para que eu lhes venha com uns novos poemas,
mas sinceramente não sei o que lhes digo.
Silencio forçosamente. Uma pena…

Onde estarão escondidas minhas palavras?
Onde estarão organizados os meus versos?
Para onde foi minha alma que não grava
as nuances do mundo em que estamos imersos?

Terão corrido das cacetadas das tropas?
Será que estarão presas pra averiguação?
Terão as lágrimas dessa espessa fumaça
sufocado, censurado a veia poética?

O sangue que escorre ou a carne rasgada
terão feito que se calassem os meus sonhos?
Essa ardência nos olhos e a vista embaçada
lançadas por aqueles soldados tacanhos

serão capazes de me fazer um temente,
de conter a vida que me é natural,
de assassinar a poética transcendente,
que para a liberdade é tão transcendental?

Não, amigos! Difícil é achar palavras,
quando as intervenções no mundo são ária,
para aquilo que em nosso ânimo se lavra
quando a poética é a rotina diária.

Ser e sentir que são os temas que me inspiram
crepitam nas chamas das ruas bloqueadas.
Vai que ao escrever, esmorece-se a lira
que é cantada em novo ato a cada empreitada!

Para que tentar competir com a esperança
que brota do cair do granizo do povo,
da gente que não retrocede e não cansa,
sobre aquele que combate o livre e o novo?

Para que tentar competir com o futuro
que não se deixar modelar pelas barreiras,
que desconhece grades, catracas e muros
que desbrava caminhos com suas bandeiras?

Ou com a liberdade que se faz presente
se personifica e se faz manifesta
ao mover o coração de toda essa gente
que contra toda injustiça firme protesta?

Não apenas me falta tempo pr’ escrever
como é difícil conseguir fazer frente
à poética cotidiana do ser
que se manifesta e batalha nessas Frentes

Minha poesia não é então nenhuma
ante o vigor e o agir da sociedade
que nesse processo de libertação ruma
à autogestão, à justiça da igualdade.

Tadeu Passos

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