Nota do MEPR sobre os presos políticos e um mês da prisão de Igor Mendes

http://mepr.org.br/noticias/movimento-estudantil/933-prisoes-politicas-repressao-policial-e-demagogia-anticorrupcao-no-brasil.html, publicada em 8/1/15.

No dia 03 de janeiro completou-se um mês da prisão de Igor Mendes, ativista do Movimento Estudantil Popular Revolucionário – MEPR e da Frente Independente Popular do Rio de Janeiro – FIP/RJ. Igor Mendes foi preso pela sua participação em protestos populares contra a farra da Fifa e é um dos vinte e três ativistas perseguidos políticos na cidade do Rio de Janeiro, acusados de formação de quadrilha armada por exercerem seu direito à livre expressão e manifestação. Igor Mendes e os demais ativistas são perseguidos e presos políticos dos gerenciamentos de Cabral/Pezão/Paes (PMDB) e Dilma Rousseff (PT). Recentemente, documentos divulgados pelos monopólios dos meios de comunicação expõem a existência de milhares de mensagens trocadas entre oficiais da PM num grupo que se comunicava via WhatsApp entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014, nas mensagens a pratica de agressão física aos manifestantes é assumida e defendida. O então tenen­te­-coronel Fábio Almeida de Souza, que comandava a repressão policial as manifestações durante as jornadas de luta de junho/julho de 2013 no Rio de Janeiro, é o autor de inúmeras destas mensagens, muitas das quais fazendo apologia ao nazismo. Fábio Almeida foi punido? Pelo contrário. Foi promovido “por merecimento” no último dia 25 de dezembro ao posto de coronel, o maior da Polícia Militar.

No campo, a frente oportunista eleitoreira de Dilma Rousseff (PT/PMDB/pecedobê/PSB) aplica uma política repressiva ainda mais feroz contra a luta pela terra, particularmente contra o movimento camponês combativo em luta pela Revolução Agrária. Não podendo deter a persistente luta pela terra o gerenciamento oportunista coordena a mais cruenta repressão através de criminosas reintegrações de posse, sequestros, torturas, assassinatos e prisões no objetivo de manter intocado o latifúndio e impunes os latifundiários. Em outubro do ano passado o coordenador político da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia, Cleomar Rodrigues de Almeida, foi assassinado por pistoleiros a mando do latifúndio. Os mandantes do crime estão livres e seus nomes sequer constam na investigação policial.

Rafael Braga foi detido no dia 20 de junho de 2013 durante uma gigantesca manifestação popular na cidade do Rio de Janeiro por portar uma garrafa de desinfetante e outra de água sanitária, estes materiais foram considerados como artefatos explosivos pelo Ministério Público e o podre judiciário, mesmo após perícia comprovar o contrário. Rafael Braga pobre e negro é o primeiro preso político condenado no país. O jovem foi condenado a cinco anos de prisão em regime fechado e, em junho deste ano, conquistou o direito de cumprir a pena em regime semiaberto. Quanto aos verdadeiros bandidos, os engravatados no parlamento burguês, assistimos a mais um capítulo da novela genericamente denominada de “Escândalos de Corrupção” com as denúncias de roubo na Petrobras, empresa saqueada governo após governo, desmembrada pelos militares e vendida em parte por FHC (PSDB). E não é de se estranhar que, mais uma vez, o PT figure entre os protagonistas da trama, já que a empresa teve suas reservas dilapidadas em leilões por Luiz Inácio/Rousseff (PT). O povo já está enjoado de toda esta patifaria e todos sabem que não dará em nada este circo de verdadeiro escarnio com o sofrimento do povo. No final das contas, o “escândalo de corrupção” na Petrobras torna a empresa ainda mais vulnerável a sanha dos banqueiros e monopólios estrangeiros do setor que visam se apossar deste valioso patrimônio.

Caio Silva e Fábio Raposo estão presos desde fevereiro do ano passado quando foram considerados culpados pelo podre judiciário e linchados publicamente pelo monopólio da imprensa como responsáveis pela morte do cinegrafista Santiago de Andrade, atingido por um fogo de artifício durante repressão policial a uma manifestação popular na cidade do Rio de Janeiro. Um acontecimento corriqueiro passou quase desapercebido pelos jornais e noticiários. Durante a festa de réveillon deste ano, duas mulheres e duas crianças foram atingidas por fogos de artifícios na sacada do prédio onde moram, em Foz do Iguaçu, Paraná. Algum âncora destes jornais policialescos sensacionalistas ou algum bacharel em direito foi à televisão cobrar a investigação de quem teria acendido o foguete? Claro que não! Pois é evidente que se trata de um acidente como ocorrem aos milhares com estes materiais pelo país, particularmente durante o réveillon e as festas juninas. Mas, insuflada pela Rede Globo, a Promotoria Pública do Rio de Janeiro pediu a prisão de Caio Silva e Fábio Raposo, acusados de homicídio por terem acendido durante uma manifestação um artefato semelhante ao que ocasionou o acidente em Foz do Iguaçu. Os jovens são acusados de homicídio triplamente qualificado, incluindo motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e uso de explosivo. Se forem condenados pela acusação de homicídio, Fábio e Caio têm pena prevista que pode passar de trinta anos de prisão.

O farsante processo eleitoral do ano passado passou ao largo sobre estas questões relativas ao direito à livre manifestação e expressão, hipocritamente defendidos como pilares desta democracia de fancaria do velho Estado brasileiro. Justamente porque quanto à necessidade de reprimir as legítimas manifestações populares não há divergências de fundo entre todas as frações e grupos de poder do Partido Único das classes dominantes. Mas a repressão fascista não poderá deter o aumento do protesto popular frente ao inevitável agravamento da crise econômica, política e social do capitalismo burocrático no país. Os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público que se alastram por todo o país demonstram que os mesmos problemas que levaram a juventude combatente às ruas durante as jornadas de luta de junho/julho de 2013 seguem vigentes. Na cidade do Rio de Janeiro, a última manifestação contra o aumento das passagens reuniu mais de mil pessoas. Protestos ocorreram e muitos outros estão sendo preparados em dezenas de cidades por todo o país como São Paulo, Belo Horizonte e Recife. A luta da juventude combatente pelo passe-livre e em defesa do ensino público, os fechamentos de rodovias pelas periferias das grandes cidades, as persistentes tomadas de terras pelo movimento camponês combativo, as greves nos canteiros de obras e fábricas somados ao retumbante boicote eleitoral do último ano são chispas que incendiarão toda a pradaria! Indiferente ao esquálido discurso de posse de Dilma Rousseff e seu cortejo fúnebre acompanhado por meia dúzia de petistas a soldo do governo na Esplanada no dia primeiro de janeiro, o povo seguirá erguendo cada vez mais alto suas bandeiras vermelhas de combate e resistência!

 

O povo prepara sua a rebelião! Se abre um novo tempo para a Revolução!

 

Liberdade imediata para Igor Mendes, Caio Silva, Fábio Raposo e Rafael Braga!

 

Pela extinção imediata de todos os processos!

 

Rebelar-se é justo!

Movimento Estudantil Popular Revolucionário – Brasil

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