VALE DO JAMARI – RO: ESCALADA DE PERSEGUIÇÃO, CRIMINALIZAÇÃO E VIOLÊNCIA DO LATIFÚNDIO

Divulgamos, em apoio à luta no campo, a nota do Comitê de Apoio ao AND de Jaru (RO), publicada em 12/1/16, no Jornal A Nova Democracia:

VALE DO JAMARI – RO: ESCALADA DE PERSEGUIÇÃO, CRIMINALIZAÇÃO E VIOLÊNCIA DO LATIFÚNDIO

Pelo Comitê de Apoio ao AND de Jaru (RO)

NOTA DA REDAÇÃO: De acordo com o “Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável” de Rondônia (CEDRS/RO), a região do Vale do Jamari é composta por 9 municípios, a saber: Alto Paraíso, Ariquemes, Buritis, Cacaulândia, Campo Novo de Rondônia, Cujubim, Machadinho d’Oeste, Monte Negro e Rio Crespo, sendo uma região marcada pelos conflitos agrários, tendo em vista o domínio do latifúndio e a impunidade dos crimes cometidos pelos latifundiários, a concentração e grilagem de terras e a falência do programa de “reforma agrária”, seja das gerências federal e/ou estadual.

Na noite do dia 31/12/2015, o jovem camponês Lucas da Costa Silva, de 23 anos, foi assassinado com um disparo de arma de fogo na cabeça, na fazenda Fluminense, localizada na estrada 25, em Monte Negro (RO). Ele participava do Acampamento Luiz Carlos, em luta por esta fazenda de quase dois mil hectares, cujo pretenso dono é o latifundiário Jair Miotto. Ela é parte da Gleba Rio Alto, terra pública cortada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), na década de 1980, em lotes de 50 hectares, porém, a gleba foi grilada por latifundiários sem nunca ter sido entregue aos camponeses.
Ex-deputado estadual e ex-prefeito de Monte Negro, Jair Miotto foi condenado por compra de votos e outros roubos. A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) acusa-o de ser o mandante dos pistoleiros que assassinaram Lucas da Costa e que desapareceram com o camponês Luiz Carlos, na mesma fazenda, em novembro de 2014 (como denunciamos nas páginas do AND). Em 2015, quando famílias retomaram estas terras, homenagearam este trabalhador batizando o novo acampamento com seu nome.
A morte de Lucas da Costa Silva foi mais uma morte anunciada. No dia 14/12/15, em Porto Velho (RO), a Comissão de Direitos Humanos da OAB, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO) e a LCP organizaram uma Audiência Pública, com o apoio da Universidade Federal de Rondônia (Unir), onde camponeses deram depoimentos emocionados, tais como: “Policiais me bateram, me chamaram de ladrão, vagabundo. Sempre trabalhei, nunca fui xingado disso. Quantas denúncias mais temos que fazer, quanto mais temos que apanhar para alguma coisa ser feita?”, “Até quando terá tantas mortes, como a do Luiz Carlos? Ele foi morto porque estava trabalhando. É só o que queremos, eu, meus parentes e amigos, um pedaço de terra para plantar e cuidar dos filhos”.
A Comissão Nacional das LCPs lançou uma nota contundente, onde analisa este crime dentro da conjuntura nacional: “Além de todo o processo histórico brasileiro, esse ataque aos camponeses acontece agora, combinado com os ataques aos povos indígenas e aos remanescentes de quilombolas, porque a gerência PT/PMDB/PCdoB, que aprofundou a desindustrialização, a privatização e a desnacionalização do país, só têm o agronegócio e a mineração para adquirir divisas, e desatou uma guerra contra o campesinato brasileiro, e para o que demonizam, criminalizam e empreendem campanhas de extermínio contra os movimentos combativos de luta pela terra com prisões, torturas e assassinatos de lideranças” (sic). E não se esquece do “governador” Confúcio Moura (PMDB), responsável por aplicar a mesma política na gerência estadual.
Tão logo Lucas da Costa foi morto, veículos de comunicação porta-vozes da polícia a serviço do latifúndio iniciaram uma odiosa campanha de criminalização contra ele e a LCP. Na nota já mencionada, a organização respondeu esses ataques: “Quem tiver estômago para ler o lixo de Rondônia Vip vai se deparar com os camponeses sendo tratados como ‘bando de sem terra’, ‘comparsa’, ‘invasores’, e todos os camponeses ou moradores da região que já tiveram passagem pela polícia como ‘membro da LCP’, ‘integrante da LCP’, e por aí vai, enquanto o ladrão de terras públicas, chefe de pistoleiros e ex-deputado Miotto é tratado como legítimo proprietário”.
Na mesma linha, mas com o status de hors concours da mentira, a Rede Globo exibiu uma “reportagem especial” no Fantástico no dia 3 de janeiro, insinuando que as famílias que ocupam irregularmente lotes divididos pelo INCRA são os principais culpados de existirem tantos camponeses sem terra. A LCP desmascara que se a Rede Globo quisesse fazer uma reportagem consistente perguntaria aos superintendentes do INCRA da região Norte por que o governo federal impede-os de entrar na justiça para retomar terras griladas, como a da Gleba Rio Alto, “por que está suspensa a desapropriação dos chamados ‘latifúndios improdutivos’ como reza a Constituição Federal? Perguntem a estes senhores, na grande maioria indicados pela direção do MST, se eles não são orientados a só assentar famílias em propriedades adquiridas pelo governo em comum acordo com latifundiários através do decreto 477? Perguntem quantas famílias foram assentadas nos últimos anos? E se a CGU quer mesmo saber por que tantos camponeses ‘vendem’ lotes (menos de 10%), porque não verifica se o governo cumpriu com as suas obrigações com estes assentados, em quanto tempo fez estradas, poços artesianos, escolas, postos de saúde, liberou crédito, enfim tudo o que está previsto na mesma lei da Constituição, nestas áreas que estão, segundo a CGU, ilegais. (…) Ninguém pode ser obrigado a viver onde não têm condições de trabalhar”.
A LCP é enfática em rechaçar a mentira de que a causa dos crimes na região do Vale do Jamari são disputas internas entre invasores, pois mesmo quando um crime é cometido por elementos degenerados existentes no meio do povo, estão por trás o “latifúndio, os órgãos de segurança do Estado na região, o Delegado Agrário Lucas Torres, o Ouvidor Agrário Gercino José, a Ouvidora do INCRA e agente da ABIN Márcia, o Major Enêdy e outros”. Assim estes têm concebido o combate à organização dos camponeses.
E a LCP conclui o documento com esperança: “As massas estão comendo o pão que o diabo amassou vendo seus filhos serem assassinados por tentarem trabalhar nessa crise e não virarem delinquentes; estão vendo a roubalheira em Brasília, a corrupção e a degeneração das altas esferas do Estado no Executivo, Legislativo e Judiciário; estão vendo o ódio com que nos atacam e as atacam, e certamente cada vez mais vão abraçando nossos princípios de organização e de luta, um dos quais os de que ‘são as massas que fazem a história, somente elas podem transformar’. E aos poucos vão descobrindo que só elas podem acabar com toda essa podridão. Lucas da Costa Silva, sua morte não será em vão. Você foi um entre os milhares de camponeses, indígenas e quilombolas assassinados pelo latifúndio na gerência oportunista do PT/Lula/Dilma/PMDB/PCdoB, governo de banqueiros, latifundiários e transnacionais. Nem você e nem nenhum destes filhos e filhas mais honrados de nosso povo serão esquecidos”.

(Foto: Rondônia Vip)

Anúncios

Informe da compa e perseguida política Mônica Lima, militante da Aldeia Maracanã

Companheiras(os), abaixo divulgamos o informe da compa Mônica Lima, da Aldeia Maracanã, perseguida política:

“Pessoal, quanto ao processo no qual fui afastada das regências de turma nos presídios do Complexo Gericinó por perseguição política-ideológica em outubro de 2014, a SEEDUC (Secretaria de Educação) abriu uma sindicância, ouviu o meu depoimento e ouviu várias testemunhas em dezembro de 2015. Quanto às ameaças e assédio que sofri dos agentes e policiais, como consequência de nossas denúncias, fui convidada a depor na Corregedoria da SEAP (Secretaria de Estado de Estado de Administração Penitenciária) no próximo 21/01. Vamos que vamos! Muita força, garra e coragem para as lutas de 2016!”

Todo apoio a Mônica Lima!

NOTA DE REPÚDIO À PRISÃO DE RAFAEL BRAGA VIEIRA

Divulgamos abaixo a nota publicada na página Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira (publicada às 17h39 de 12/1/16 na página do facebook Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira)

NOTA DE REPÚDIO À PRISÃO DE RAFAEL BRAGA VIEIRA

Dois anos depois a arbitrariedade se repete. RAFAEL BRAGA VIEIRA, jovem, negro, pobre, foi abordado de maneira violenta por Policiais Militares e conduzido à delegacia. Ele estava em liberdade, mas portando uma tornozeleira, que permite que o Estado controle todos os seus passos.

Rafael havia ido à padaria a pedido da mãe, quando os policiais chegaram, o abordaram, o agrediram e mantiveram o fuzil apontado pro seu peito. Foi ameaçado de ser violentado sexualmente. Tudo isso na frente de vizinhos que tentavam ajudar e de sua mãe, que implorava para que o filho não fosse levado, pois ele nem sequer saía de casa e cumpria todos os seus horários com a justiça.

NÓS, DA CAMPANHA PELA LIBERDADE DE RAFAEL BRAGA VIEIRA, junto com amigos e amigas, Coletivos e Movimentos Sociais diversos, repudiamos essa NÍTIDA PERSEGUIÇÃO empreendida pelo Estado. POLÍTICA RACISTA DE SEGURANÇA PÚBLICA que faz do Rafael seu alvo predileto por sua cor, sua pobreza e sua pouca instrução. Não aceitaremos essa intimidação, não nos calaremos e não deixaremos o RAFAEL sozinho.

NESTA QUARTA-FEIRA, DIA 13, a partir das 11:00, estaremos em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para acompanhar de perto a audiência deste caso. Convidamos a você que tiver algum tempo, mesmo no horário de almoço, que passe para prestar solidariedade, apoio e manifestação de repúdio a mais essa violência do Estado.

CAMPANHA PELA LIBERDADE DE RAFAEL BRAGA VIEIRA

SAUDAÇÕES À JUVENTUDE COMBATENTE DE SÃO PAULO

saudações à juv comb SP

SAUDAÇÕES À JUVENTUDE COMBATENTE DE SÃO PAULO

A FIP-RJ vem a público saudar a Juventude Combatente de São Paulo que nos últimos dias 12 e 14/01, enfrentou mais uma vez as tropas terroristas da PM a serviço das gerências fascistas de PSDB (Geraldo Alkmin) e PT (Fernando Haddad). Gerências essas que, de mãos dadas – Haddad (PT) que promove abusivo aumento das passagens e Alkmin (PSDB) garante a implantação dessa medida antipovo sob a mais violenta e descabida repressão e perseguição contra os protestos populares –, seguem defendendo os interesses de seus financiadores de campanha: as máfias de transporte e os megaempresários.

Saudamos esses companheiros que não baixaram a cabeça frente a mais essa violenta repressão e tática nazista de envelopamento, e seguiram com o protesto pela Avenida Paulista. Jovens destemidos que se colocaram com paus e pedras diante dessa polícia armada até os dentes e paramentada com toda sorte de equipamentos. Polícia essa que não esconde seu caráter fascista, afirmando publicamente que continuará a realizar abuso de poder e repressão[1] e que promove continuamente assassinatos e chacinas nas periferias da cidade contra o povo negro e pobre.

Mas, essa brutal repressão dirigida contra as manifestações não representa nada mais do que o medo que as classes dominantes e seus gerentes de turno têm da justa revolta popular. Além disso, essas violações claras de direitos e incremento da repressão tende a gerar mais resistência e mobilização popular.

E, se por um lado, não temos nenhuma ilusão com estes governos e seus partidos, que só tem a oferecer ao povo mais e mais repressão. Por outro, temos cada vez mais firmes a certeza de que somente a luta independente e combativa pode garantir conquistas verdadeiras para nosso povo. É este o caminho que a juventude paulista tem apontado.

Essa brava juventude que ocupou as escolas no fim do ano passado contra as mudanças impostas à rede de ensino e enfrenta mais essa batalha, agora em defesa do direito do transporte público. Jovens combatentes que tomam as rédeas da luta por seus direitos e rechaçam cada vez mais o velho movimento adestrado nas práticas conciliadoras legalistas dos partidos eleitoreiros.

Assim, por mais que o comparsa dessa quadrilha de PSDB/PT, Alexandre de Moraes (“Secretário de Segurança Pública”), esbraveje sobre o trajeto dos protestos – tentando, por um lado, em vão, adestrar as mobilizações populares e por outro, de fato, incrementar ainda mais a repressão contra os manifestantes – a juventude continuará se levantando, pois é tropa de choque que expressa revolta popular acumulada de milhões de brasileiros.

IR AO COMBATE SEM TEMER, OUSAR LUTAR OUSAR VENCER!

REBELAR-SE É JUSTO!

FRENTE INDEPENDENTE POPULAR, 15-01-2016

[1] Fan Page da Anistia Internacional – https://goo.gl/r4G6x9

Saudamos a vitoriosa 1ª Plenária da FIP-RJ 2016

Saudamos a vitoriosa 1ª Plenária da FIP neste ano de 2016 que encheu a RAV da UERJ e mostra mais uma vez o vigor dos que não se dobram frente a repressão e as lutas de nosso povo.

Somente pautados no classismo, na combatividade, de forma independente e organizada poderemos avançar de maneira consequente na luta pelos direitos do povo e contra esse Estado fascista.

Nesta sexta-feira (15/01) a FIP estará às 17h na Cinelândia e voltará às ruas com seu bloco de agitação para garantir que a manifestação não perca seu caráter combativo e não sirva de mero palanque para que os partidos eleitoreiros promovam seus candidatos.

15/01 Ato Contra o Aumento da Passagem
Local: Cinelândia
Horário: 17h
Evento: https://www.facebook.com/events/1674770679438152/

CALENDÁRIO DE ATIVIDADES DA FIP

calendário de atividades

14/01 Ato contra a privatização do Hospital Rocha Faria
Local: Campo Grande em frente ao hospital
Horário: 8h

14/01 Ato Contra o Aumento das Passagens de Caxias
Local: Praça do Pacificador – Duque de Caxias
Horário 17h
https://www.facebook.com/events/1085203288180530/

15/01 Ato Contra o Aumento da Passagem
Local: Cinelândia
Horário: 17h
Evento: https://www.facebook.com/events/1674770679438152/

19/01 Reunião da Campanha pela Liberdade de Rafael Braga
Local: Cinelândia
Horário: 19h

21/01 Grande Panfletagem na Central Contra o Aumento e a Repressão
Local: Central do Brasil (entrada principal – praça Procópio Ferreira)
Horário: 16h

21/01 Plenária Unificada dos Servidores Estaduais
Local: a confirmar
Horário: 17h

26/01 Plenária da Frente Independente Popular – FIP
Local: UERJ (9º andar), RAV 92
Horário: 18h
Evento: https://www.facebook.com/events/1585252708458784