Ato contra a farsa eleitoral promovido pela FIP-SP e outros coletivos

NÃO VOTAR! significa rechaçar e não legitimar esse farsante processo eleitoral que esconde quem realmente governa e domina o país: multinacionais, grande burguesia, latifundiários, banqueiros… Nenhuma mudança profunda poderá ser feita pelas urnas, mas somente com o povo lutando e se organizando nos locais de moradia, trabalho e estudo, criando novas formas de exercerem o seu poder.
Frente Independente Popular – SP

(Publicado em 28/09/2014)

http://www.youtube.com/watch?v=8LGQHXAOB7E&feature=youtu.be

Força, camaradas da FIP-SP!
Não tem arrego! Não vai ter voto!

Nessa 3a feira, 30/09: Lançamento da Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.

lançamento de campanha

Lançamento da Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.

Quando os direitos de uma única pessoa são tirados, roubados, os direitos de todos ficam em risco. E é esse risco que está claro nos casos do Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e dos 23 indiciados em apenas um de tantos processos políticos do Rio de Janeiro. Caio Silva, Fábio Raposo e Rafael Braga são presos políticos dos governos Cabral/Pezão e Dilma e seus ministros. O desejo do Estado é fazer o mesmo com os 23 perseguidos políticos do processo do dia 12 de julho de 2014. Mas seguiremos na luta incessante pela libertação dos presos e pela extinção dos processo de perseguição política.

Rafael Braga foi preso no dia 20 de junho de 2013 por portar Pinho Sol e desinfetante. Morador de rua que ganhava a vida guardando carros e vendendo material reciclável, foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão. O laudo pericial da Polícia Civil do Rio de Janeiro atesta que o material que Rafael portava não poderia ser usado como explosivo, mas o judiciário ignorou o laudo e mesmo assim Rafael segue preso no complexo penitenciário de Bangu. A prisão dele deixa explícito o perfil de criminalização do poder judiciário brasileiro e seu completo descomprometimento com qualquer aspecto de justiça e democracia: são os negros, são os pobres, são os ativistas políticos e sociais.

Caio Silva e Fábio Raposo são vítimas de um julgamento do monopólio de comunicação. A acusação de homicídio doloso (quando há intenção de matar) triplamente qualificado não passa de um impropério, um absurdo e uma aberração. É mais do que claro que não houve qualquer intenção de matar ninguém, e a trajetória errática do artefato da fatalidade só confirma que tudo não passou de uma infeliz fatalidade. Esses jovens ativistas estavam nas ruas lutando pelos direitos de todo o povo. Caio e Fábio foram julgados por uma mídia institucional raivosa, que esqueceu de questionar como a Band, então empregadora do Santiago, o enviou para uma área de conflito sem qualquer proteção individual (EPI). Eles foram usados de bode expiatório enquanto lutavam exatamente contra os absurdos que envolvem a criminalização de pessoas como o próprio Rafael Braga.

Os 23 indiciados no processo do dia 12 de julho de 2014, véspera da final da Copa do Mundo, são outra aberração jurídica do Estado do Rio de Janeiro. Respondem por formação de quadrilha armada, quando muitos nem sequer se conheciam e a arma em questão (um único revolver registrado e legal) era de propriedade do pai de um dos acusados, o pai do acusado trabalha de segurança privado. É um processo repleto de irregularidades, desde escutas telefônicas envolvendo advogados até quebras de sigilo de internet que ferem o Marco Civil da Internet. Esses 23 jovens (estudantes e trabalhadores), estiveram presos no complexo penitenciário de Bangu e hoje vivem a incerteza de um processo de perseguição política. Esse processo é mais uma clara demonstração de que não vivemos em um Estado Democrático de Direito e sim em um Estado de Exceção. Essas prisões e perseguições políticas são uma ameaça não somente aos movimentos sociais e políticos, mas sim uma ameaça à toda a sociedade. Esse processo deixa clara a condição de perseguição explícita à todos aqueles que se levantam contra esse modelo de Estado que vivemos. É urgente a extinção completa desse processo absurdo, montado de forma à caçar as liberdades democráticas de manifestação política e do pensamento.

Por todos esses motivos nós, familiares dos presos e perseguidos políticos, nos unimos em luta e convoca todos para aderirem à campanha pela liberdade de Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.

Participarão desse ato os ilustres convidados:

– Dr. João Tancredo
– Dr. Marino D’Icarahy
– MM. Juiz Jorge Luiz Souto Maior
– Comissão de Mães, Pais e Familiares dos Presos e Perseguidos Políticos
– Marilene Silva (Mãe do Caio Silva)
– CEBRASPO (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos)
– FIP-RJ (Frente Independente Popular)

À CONFIRMAR

– Professora Cecília Coimbra
– Comitê Pela Liberdade de Rafael Braga
– Família do Fábio Raposo

Local: UFRJ – Praia Vermelha – Auditôrio de Serviço Social

Dia: terça-feira, 30/09/14, 18h.

 

lançamento da campanha

Calendário de atividades da semana

::: CALENDÁRIO DE ATIVIDADES :::

30/09, 3ª feira, 18h – Lançamento da Campanha Unificada para a Liberdade de Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos. Local: UFRJ – Praia Vermelha (Auditório de Serviço Social).
https://www.facebook.com/events/371053136383600/

01/10, 4ª feira, 16h – Paralisação de 24 horas dos profissionais de educação da rede estadual de ensino, convocada pelo Sepe. Local: Cinelândia.

01/10, 4ª feira, 17h – Panfletagem Contra a Farsa Eleitoral. Campanha ‘Não Vote, Lute pela Revolução!’. Local: Estação Central do Brasil.
https://www.facebook.com/events/356315734549807/

02/10, 5ª feira, 12h – Debate sobre os Movimentos Sociais e Eleições. Local: UERJ (9º andar).

02/10, 5ª feira, 16h – Panfletagem Contra a Farsa Eleitoral. Campanha ‘Não Vote, Lute pela Revolução!’. Local: Uruguaiana (esquina com a Av. Presidente Vargas).
https://www.facebook.com/events/358539224300557/

03/10, 6ª feira, 17h – Ato Contra a Farsa Eleitoral. Local: Saída do Metrô da Uruguaiana.

https://www.facebook.com/events/1467252963563247/

06/10, 2ª feira, 18h – Próxima Plenária da FIP-RJ. Local: UERJ (9º andar).

https://www.facebook.com/events/295388467327834/?ref=22

CALENDÁRIO DE ATIVIDADES ATUALIZADO

22/09, 2ª feira, 18h: Mobilização em frente ao Hospital Salles Netto (Rio Comprido) contra o desmonte do hospital

23/09, 3ª feira, 15h: Panfletagem e oficina de cartazes pela libertação de Rafael, Caio e Fábio, Tribunal de Justiça, organizado por independentes e pelo Comitê Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira.

23/09, 3ª feira, 17h: ato pela liberdade de Rafael Braga e todxs xs presxs políticxs, concentração no Tribunal de Justiça, organizado por independentes e pelo Comitê Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira: https://pt-br.facebook.com/events/1479604708964042/?ref=3&ref_newsfeed_story_type=regular

23/09, 3ª feira, 18h: Debate sobre eleições organizado pelo Fórum de Saúde do Rio de Janeiro, UERJ (auditório 91): https://pt-br.facebook.com/events/336138116567399/?ref=22 / https://pt-br.facebook.com/events/1619709881588964/?ref=22

24/09, 4ª feira, 18h: Mesa de recepção dos calouros da Geografia da UERJ, com participação de alguns dos presos políticos. Local: UERJ, local: 5o andar (a confirmar)

25/09, 5ª feira, 10h: Debate “Pela democracia, contra a criminalização dos movimentos sociais”, ICHF (bloco O), auditório do 2º andar, Campus do Gragoatá, UFF: https://pt-br.facebook.com/events/273527686176878/

26/09, 6ª feira, 18h: Próxima plenária da FIP, IFCS: https://pt-br.facebook.com/events/561801457276454/?ref=22

29/09, 2ª feira: Debate sobre perseguições políticas no Serviço Social da UFRJ, Praia Vermelha (horário a confirmar)

Debate sobre as eleições

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Por decisão da plenária, na próxima terça-feira (23/09) a FIP estará participando, a convite do Fórum de Saúde do Rio de Janeiro, de um debate na UERJ sobre as eleições. Todos que conhecem a trajetória da FIP-RJ sabem que, desde o início, não reconhecemos a farsa eleitoral como espaço de luta. Ao contrário: entendemos que a bandeira do “não votar” levantada pelos trabalhadores e pela juventude nos quatro cantos do Brasil é a única coerente com as jornadas de junho e seus desdobramentos.
Essa é a posição que a FIP-RJ estará apresentando e achamos que nada melhor que um debate para esclarecer nossos pontos de vista. Até lá!
Não vote, lute pela revolução!

Terça-feira, 23/09
18h
Auditório 91 (9º andar)
UERJ

https://www.facebook.com/events/336138116567399/?ref=22

A FALÁCIA DE QUE NÃO VOTAR FAVORECE A DIREITA

A FALÁCIA DE QUE NÃO VOTAR FAVORECE A DIREITA
por Igor Mendes*
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Com o recrudescimento da disputa eleitoral os ânimos mais exaltados se põem a gritar até quase ficar roucos: não votar, abster-se, ou anular o voto, serve à direita. Essas vozes, entretanto, não podem responder satisfatoriamente à pergunta sobre o que exatamente entendem por “esquerda”.

Sim, porque se por “esquerda” entendem uma soma de crédito, Bolsa Família e agronegócio –tudo misturado e temperado com uma boa, mas muito boa mesmo dose de (contra) propaganda –devemos responder-lhes que essa “esquerda” é igualzinha à direita que tanto ataca.

Tal argumento, ademais, não possui sequer o mérito da originalidade. Porque não é de hoje que o fantasma da direita é usado para mascarar o direitismo de quem o acusa. Tomemos junho. Tomemos a Copa. Segundo esse curioso raciocínio, a “esquerda” estava no alto dos palácios governamentais, protegida por nossa “republicaníssima” polícia; e a “direita” estava nas ruas cercando aqueles palácios, tomando paulada desta polícia.

Estranho!

Tomemos agora as eleições. As três principais candidaturas (Dilma, Marina e Aécio) somam, juntas, um orçamento de quase 1 bilhão de reais –no caixa 1, declarado à Justiça Eleitoral. Nem Dilma nem Marina, que pretendem se apresentar “pela esquerda”, tocam nem por alusão a questões pendentes há séculos como a absurda concentração de terras no Brasil (que se reforçou sob a década petista), o confisco das dívidas interna e externa ou o fim do arrocho salarial continuado sobre os trabalhadores. Sobre o direito ao aborto, cruzes!, dá mais voto inaugurar templos e dizer que “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”… Citamos propositalmente algumas medidas que nada têm de socialistas, nem de anticapitalistas, mas possuem simplesmente caráter democrático, progressista. Mas nem mesmo estas questões básicas estão colocadas por quaisquer dessas candidaturas, nem poderiam estar –exatamente porque essas candidaturas são, todas elas, de direita, independente de como se pintem a si mesmas.

Quanto às candidaturas dos demais partidos “socialistas” e “comunistas”, que dizem representar o voto dos protestos, devemos responder-lhes simplesmente: não os representam. Basta olhar as estatísticas. Nas primeiras eleições posteriores às jornadas de junho esses partidos têm as mesmas intenções de voto, ou mesmo menos, que nos pleitos anteriores. Porque passaram ao largo dos protestos contra o aumento das passagens, os quais sempre ignoraram por serem “pequenos”, com ar de aristocrática superioridade; porque estavam por demais preocupados com as próximas eleições do DCE, ou do sindicato, entidades nas quais reproduzem as mesmas práticas de aparelhamento que dizem combater em âmbito nacional. De modo que quando apareceram com suas bandeiras e carros-de-som, lá pela segunda ou terceira semana de protestos, já era tarde. Foi uma relação recíproca. Esses partidos passaram ao largo das manifestações de junho, que por sua vez passaram ao largo desses partidos. E passaram muito bem, obrigado.

Não votar, por si só, não vai mudar o país. O boicote, entretanto, passa um recado claro de rechaço ao Estado brasileiro. Não votar é ser coerente com as sucessivas revoltas populares que têm sacudido o Brasil, e produzirão novas ondas nos próximos meses e anos. Não votar é se recusar a cair no conto do “menos pior”, do qual a falácia de que a abstenção serve à direita é apenas uma derivação mais intelectualizada e um pouquinho menos cínica. Não votar é rechaçar o roubo, a repressão e o descalabro contra os trabalhadores praticado por todas as siglas em todas as esferas de governo. Não votar é não legitimar a “democracia” onde os torturadores estão impunes e os presídios superlotados –de pobres.

Se eleições mudassem alguma coisa, os eleitores seriam cercados pela Tropa de Choque e detidos para averiguação quando estivessem a caminho da zona eleitoral. Como tem acontecido quando os autênticos direitos populares estão em jogo.

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*texto originalmente publicado no site Tribuna da Imprensa online
http://tribunadaimprensaonline.blogspot.com.br/2014/09/a-falacia-de-que-nao-votar-favorece.html